quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Caracteristicas do Texto Dramático


Características do Texto Dramático

O texto dramático é um tipo de texto que é para ser representado. Normalmente não tem narrador e nele predomina o discurso na segunda pessoa (Tu/vós). Além deste tipo de discurso, o texto dramático pressupõe o recurso à linguagem gestual, à sonoplastia e à luminotécnica.


Formas do Género Dramático

O texto dramático pode surgir sob a forma de:

-Tragédia;

-Comédia;

-Drama;

-Teatro Épico;

-Teatro Moderno;


O texto dramático é composto por dois tipos de texto:

- Texto Principal – As falas dos atores, constituídas por:

àMonólogo – Uma Personagem, falando consigo mesma, expõe perante o publico os seus pensamentos e/ou sentimentos;

àDiálogo – Falas entre duas ou mais personagens;

àApartes – Comentários de uma personagem para o público, pressupondo que não são ouvidos pelo seu interlocutor;

- Texto Secundário ou Didascálias – Destina-se ao leitor, ao encenador ou aos atores e é composto por:

            à Pela listagem inicial das personagens;

àPela indicação do nome das personagens no início de cada fala;

àPelas informações sobre a estrutura externa da peça;

àPelas indicações sobre o cenário e guarda-roupa das personagens;

àPelas indicações sobre a movimentação das personagens em palco, as atitudes que devem tomar, os gestos que devem fazer ou a entoação de voz com que devem proferir as palavras

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Biografia de Sttau Monteiro


Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro

Nasceu a 3 de Abril de 1926 em Lisboa, cidade onde viria a morrer a 23 de Julho de 1993. Era filho de Armindo Rodrigues de Sttau Monteiro e de Lúcia Rebelo Cancela Infante de Lacerda.

Com 10 anos de idade mudou-se para Londres com seu pai, embaixador de Portugal. Contudo, em 1943 este último é demitido do seu cargo por Salazar o que obriga pai e filho a regressarem a Portugal.

Já em Lisboa, licenciou-se em Direito, que exerceu por um curto período de tempo, dedicando-se depois ao jornalismo. A sua estadia em Inglaterra, durante a juventude, pô-lo em contacto com alguns movimentos de vanguarda da literatura anglo-saxónica. Na sua obra narrativa retrata ironicamente certos estratos da burguesia lisboeta e aspetos da sociedade portuguesa sua contemporânea.

Vai novamente para Londres e torna-se piloto de Fórmula 2.

Ao regressar a Portugal colabora em diversas publicações destacando-se a revista Almanaque e o suplemento A Mosca do Diário de Lisboa. Neste último, cria a secção Guidinha.

Estreou-se, em 1960, com “ Um Homem não Chora”, a que se seguiu “Angústia Para o Jantar (1961)”, obra que revela alguma influência de escritores ingleses da geração dos “angry young men,” que o consagrou e “E Se For Rapariga Chama-se Custódia (1966)”.

Destacou-se, sobretudo, como dramaturgo, nomeadamente com Felizmente há Luar! (1961), peça que, sob influência do teatro de Brecht e recuperando acontecimentos da anterior história portuguesa, procurava fazer uma denúncia da situação sua contemporânea. Esta peça foi publicada em 1961, tendo sido galardoada com o Grande Prémio de Teatro. A sua representação foi, no entanto, proibida pela censura.
Só em 1978 após a Revolução do 25 de Abril, a célebre peça foi apresentada nos palcos nacionais no Teatro Nacional.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

"Mensagem" - Análise de Poema "Nevoeiro"

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...



















Análise:

Este poema apresenta três recursos estilísticos :

-anáfora (verso 7, 8, 9 , 11, e 12);

- personificação (verso 4);

-antítese (verso 3);

O verso nº 10 reprezenta uma expressão de inquietação formulada pelo sujeito poético, espécie de premonição de que algo está para acontecer.

Simbologia - O nevoeiro remete simultaneamente para a noite e para a escuridão  que é  ver "Portugal a entristecer" e para a esperança de D.Sebastião.



















quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Mensagem" - Análise do Poema "O Monstrengo"


O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»


 







- Animação baseada no Poema



Reflexão:
O que o Gigante Adamastor é para Os Lusíadas é para a Mensagem “O mostrengo”. Ambos, cardeais, axiais; ambos de tal importância, que foram colocados, pelos seus autores, exatamente, pensadamente, mesmo materialmente, no meio do grande poema. No caso da Mensagem, o rigor e a exatidão são matemáticos: 21 poemas antes, 21 poemas depois de “O mostrengo”. Estes episódios, estão no meio pois isto é a meio da viagem e é o ponto mais alto e difícil para o povo português.




"Mensagem"- Análise do Poema "O Infante"

Análise do Poema "O Infante"
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
 

Reflexão:
Este poema (“O infante”) foi criado para estabelecer uma relação passado/presente/futuro. Deus quis que os portugueses sonhassem o desvendamento do mar, fazendo nascer a obra dos descobrimentos.
Os portugueses no passado cumpriram, a missão divina, desvendando os mares desconhecidos e criando o Império. Mas este desfez-se e, no presente, Portugal é uma pátria sem glória que falta “cumprir-se” daí o apelo profético expresso no último verso exclamativo, ao cumprimento do destino mítico do Portugal.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

"Mensagem" - Análise do Poema "D. Afonso Henriques"

Pai foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como bênção!



Análise
Este poema apresenta-se como uma prece dirigida a D. Afonso Henriques, “Pai” de uma geração que lendariamente recebeu a força e a missão de Deus. O sujeito poético, assumindo-se como voz do coletivo português, pede ao Rei-Rei que dê ao seu povo o exemplo, a força e a bênção, porque “Hoje a vigília é nossa”, somos nós que temos que ser cavaleiros contra “novos infiéis”, fantasmas do adormecimento coletivo.
Implicitamente, este poema recupera a lenda da Batalha de Ourique, que atribuiu uma dimensão sagrada á fundação de Portugal, tal como nos é apresentando no episódio “Batalha de Ourique” de Os Lusíadas.

"Mensagem" - Análise do poema "O dos Castelos"

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.


Análise
Tal como neste poema da “Mensagem”, a estrofe de “Os Lusíadas” indica Portugal como “cabeça da Europa toda” atribuindo-lhe uma missão predestinada. Mas “n’Os Lusíadas” essa missão é ditada pelo “Céu” que quis que Portugal vencesse na luta contra os mouros enquanto que na “Mensagem” a missão de Portugal será mais abrangente.